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João Capiberibe

Nome: João Alberto Rodrigues Capiberibe
UF: AP
Aniversário 06/05/1947
Profissão: Zootecnista formado no Canadá
Gabinete Senado Federal Anexo II Bloco A Térreo Ala Afonso Arinos Gabinete 08
Telefone: (61) 3303-9011 / 9013
E-mail: joao.capiberibe@senador.leg.br
Website:
Biografia:

Em 1947 no Afuá, na ilha de Marajó, no Pará, nasceu João Capiberibe. O menino cresceu às margens do rio Xarapucu, uma região isolada, sem eletricidade, sem escola. Aos sete anos, João sabia nadar, subir no açaizeiro e pescar, mas a família queria que os filhos estudassem e mudou-se para Macapá. Aos 10 anos entrou para um seminário de padres italianos, onde recebeu formação religiosa e humanista. Estudou e militou no movimento estudantil em Macapá até os 17 anos. Na Escola Normal conheceu Janete com quem mais tarde se casou e tem três filhos. Em 1966, João partiu para Belo Horizonte, onde começou a estudar Economia. De volta a Belém, na Faculdade de Economia teve contato com a Ação Libertadora Nacional e foi ao Rio encontrar Carlos Marighella.

Depois do encontro, João e Janete partiram para uma região de extrema pobreza na divisa do Pará com o Maranhão, a fim de organizar um grupo de guerrilha, mas foram presos. Torturado, João precisou fazer uma greve de fome para que lhe permitissem ver a filha recém-nascida. Doente, pesando 51 quilos, foi transferido para a Santa Casa, de onde conseguiu fugir, pela porta da frente do hospital, vestido com um avental de médico. Viajou clandestinamente pelos rios da Amazônia até chegar a Guajará-mirim, na Bolívia, rumo a um longo exílio de dez anos. Os primeiros tempos do exílio foram passados entre a Bolívia, o Peru e o Chile. Neste período, João conviveu com diversas situações de pobreza, de miséria, de injustiças, de devastação do ambiente, conhecendo por dentro problemas da Amazônia e da América Latina. Mas, também, deparou-se com a grande força da floresta, e percebeu as fabulosas possibilidades de um desenvolvimento não destrutivo.

Com a queda do presidente do Chile, Salvador Allende, os Capiberibe foram para o Canadá, onde João formou-se em zootecnia. Depois se mudou para Moçambique, onde foi cooperante internacional. Dali retornou ao Brasil, em 1979, após a anistia, mas no Amapá sofreu perseguições políticas, e teve de mudar-se novamente, indo residir com a família em Pernambuco, onde se ligou a Miguel Arraes. Em seguida foi para o Acre, organizando ali as sociedades agrícolas no Vale do Juruá.

Em 1988, surpreendendo seus adversários, foi eleito prefeito de Macapá. Em 1994, se elegeu governador do Amapá, sendo reeleito em 1998. No governo criou o PDSA (Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá), um novo modelo de desenvolvimento para a Amazônia. O programa valeu vários prêmios internacionais ao Governo do Amapá. A partir de 2001, criou um programa para divulgar receitas e despesas do orçamento do Amapá pela internet, em dados simplificados, para que o contribuinte pudesse acompanhar o uso do dinheiro público. Foram anos de crescimento sustentável no Amapá, e o êxito de sua política o consagrou senador da República, em 2002.

Em 2003, João e Janete foram denunciados pelo PMDB de terem comprado dois votos por R$ 26,00. O Ministério Público do Amapá recusou, por falta de provas, a denúncia e os dois foram absolvidos pelo TRE/AP, mas o PMDB recorreu ao TSE que reformou a sentença, em 2004, e cassou os mandatos de João e Janete. Capiberibe se dedicou depois da injusta cassação de seu mandato à implantação dos Núcleos de Base do PSB no Amapá.

Em 2006, João Capiberibe candidatou-se a governador do Estado do Amapá e lançou o nome de Cristina Almeida para concorrer ao Senado enfrentando o senador José Sarney, adversário histórico de Capiberibe, apoiado pelo governo do Estado, por todos os prefeitos, por 23 dos 24 deputados estaduais, por todos os deputados federais, pelos três senadores e quase todos os vereadores do Estado. O resultado deste rolo compressor foram às reeleições do governador Waldez Góes e do senador José Sarney.

A partir do momento em que Capiberibe deixou o governo do Amapá em 2002, foram oito anos de calúnias, mentiras e difamação. Capiberibe foi acusado pelo senador Gilvam Borges de desviar R$ 360 milhões. Investigado pela Polícia Federal, a Justiça Federal o declarou inocente, mas a falsa acusação foi usada no processo que lhe tirou o mandato como justificativa da origem do suposto dinheiro usado para comprar votos. Em 28 de maio de 2009, o Congresso Nacional aprovou a Lei Complementar 131, de autoria do senador João Capiberibe. Ao entrar em vigor a lei foi saudada em editorial de O Globo de 28/05/2010: “A Lei complementar 131 é daquelas que não podem ficar no papel. Como se vive no país da lei que “pega” ou não, toda a atenção é necessária para que esta vingue. Pois há fortes interesses em que aconteça o oposto. Por determinação da lei complementar, estados, municípios com mais de 100 mil habitantes e o Distrito Federal têm, desde já, de dispor na internet as respectivas arrecadações e o destino dado ao dinheiro do contribuinte. É, na prática, um enorme Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal), porém aberto à sociedade”.

Nos oito anos de cassação de Capiberibe, o Amapá foi tomado pela corrupção. Em 2004, a Operação Pororoca, da Polícia Federal, prendeu os prefeitos de Macapá e Santana, secretários de Estado e empresários. Em 2007 foi à vez da Operação Antídoto da Polícia Federal que mais uma vez levou vários secretários de Estado para a prisão. Em 2010, são presos pela Operação Mãos Limpas, o ex-governador Waldez Góes, o governador da época Pedro Paulo Dias, o prefeito de Macapá, Roberto Góes, secretários de Estado e empresários. Todos foram encaminhados para o Presídio Federal da Papuda, em Brasília.

Foi num clima extremamente negativo, isolado pela mídia, pela classe política e acusado nos meios de comunicação de estar enquadrado na Lei da Ficha Limpa que João Capiberibe apresentou sua candidatura ao Senado em 2010. Aos poucos o Horário Eleitoral Gratuito servia como meio para mostrar centenas de obras realizadas por Capiberibe, cuja autoria havia sido apagada pela contrapropaganda dos adversários ao longo dos anos. Muitos nomes de obras de Capiberibe foram modificados e placas de inauguração alteradas para apagar o legado de seu governo. Os amapaenses elegeram Capiberibe conscientes da injustiça que pesava contra ele.

O Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) em 17 de novembro proclamou eleito senador o candidato João Capiberibe (PSB), que estava com a candidatura sub-judíce por causa da Lei da Ficha Limpa, mas a ministra Carmem Lúcia, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou ao TRE que proclamasse novo resultado das eleições para o cargo. Como em 2005, Gilvam Borges (PMDB) foi diplomado senador no lugar de Capiberibe.

Em 29 de novembro de 2011, com quase um ano de atraso, amparado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal, assumiu o mandato que lhe foi conferido nas urnas pelo povo do Amapá e tentou lhe ser usurpado por uma manobra dos adversários daquele Estado.

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