
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), cobrou explicações do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre a promessa de cortar R$ 200 bilhões no orçamento federal. Em vídeo divulgado nesta terça-feira (20), Alckmin questionou sobre quais áreas seriam atingidas pela medida e associou a proposta ao modelo econômico adotado pelo presidente argentino Javier Milei, cuja política de ajuste fiscal tem sido acompanhada pelo aumento da pobreza, pela alta do desemprego e pelo fechamento de empresas.
Inspirada no modelo econômico argentino, a equipe de Flávio Bolsonaro estuda promover um ajuste fiscal equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro ano de um eventual governo. A proposta, no entanto, ainda não esclarece de onde viriam os recursos para alcançar a economia prevista nem quais áreas seriam afetadas pelos cortes. A falta de detalhamento levanta questionamentos sobre os possíveis impactos da medida nos serviços públicos, nos direitos trabalhistas e nos programas sociais.
“A equipe econômica dele já diz que quer copiar as políticas adotadas na Argentina. O governo de lá cortou o aumento do salário mínimo acima da inflação. Eles também desvincularam o reajuste das aposentadorias em relação ao salário dos trabalhadores ativos. Isso significa que, quando o trabalhador da ativa recebe um aumento, esse aumento não é dado aos aposentados. Lá na Argentina, eles também dificultaram o acesso ao programa de seguro-desemprego e diminuíram o valor das indenizações ao trabalhador. Eles também esvaziaram o programa que distribui remédios gratuitamente e diminuíram o número de beneficiários”, afirmou Alckmin.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), a pobreza na Argentina atingiu 32,3% da população no primeiro semestre de 2026, ante 28,2% no segundo semestre de 2025. A taxa de indigência também chegou a 7,5% no período.
No mercado de trabalho, o desemprego alcançou 7,9% no segundo trimestre de 2026, o maior patamar desde 2021. Dados oficiais apontam ainda uma redução de aproximadamente 32 mil empregadores com trabalhadores registrados entre novembro de 2023 e julho de 2026, período que abrange o início do governo Milei.
Alckmin também contestou a promessa de Flávio Bolsonaro de preservar os benefícios sociais mesmo com o corte de R$ 200 bilhões no Orçamento. Para o vice-presidente, a conta “não fecha”.
“Apesar de prometer esse tesouraço e dizer que a Argentina é um modelo a ser seguido, Flávio jura de pé junto que não pretende cortar benefícios sociais. E é por isso que a conta não fecha de jeito nenhum”, afirma. “Se ele diz que vai cortar R$ 200 bilhões e diz que esse corte não virá dos programas sociais, ele precisa dizer com todas as letras de onde vai vir esse corte”, cobra.
Alckmin também endureceu o discurso contra o filho Flávio Bolsonaro e menciona episódios envolvendo o Banco Master, o empresário Daniel Vorcaro, o caso das rachadinhas e a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 para questionar a credibilidade das promessas feitas pelo candidato do PL.
“Ou ele está mentindo para você, eleitor, e não vai fazer corte nenhum, ou ele está escondendo quem vai perder com esse corte”.



