
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, afirmou nesta terça-feira (30) que o Brasil se consolidou como uma potência agroalimentar global ao lançar o Plano Safra 2026/2027, que prevê R$ 525,1 bilhões em crédito para a agricultura empresarial.
“Há 60 anos, o Brasil era importador de alimentos. Hoje é o maior exportador de alimentos do mundo. Nós estamos entre os quatro maiores produtores do mundo e somos o primeiro em exportação de alimentos. A alimentação é um ato de paz e o Brasil é o grande celeiro do mundo”, declarou Alckmin durante a cerimônia.
Com o slogan “Crédito que fortalece o campo. Campo que alimenta o mundo”, o novo Plano Safra amplia em R$ 9 bilhões os recursos destinados ao setor em relação ao ciclo anterior. Segundo o governo, o objetivo é fortalecer a produção agropecuária, ampliar investimentos e aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro.
Alckmin ressaltou que o programa reúne o maior volume de recursos da história do Plano Safra, aliado à redução das taxas de juros para os produtores rurais. “Esse era o objetivo: aumentar o Plano Safra e reduzir os juros”, afirmou.
Do total anunciado, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e à comercialização da produção, enquanto R$ 140,2 bilhões irão para investimentos em modernização produtiva, irrigação, armazenagem, inovação tecnológica e renovação de máquinas e equipamentos.
O presidente em exercício também destacou o desempenho recente do agronegócio na economia brasileira. Segundo ele, o setor registrou crescimento recorde de 11,7% no PIB em 2025, impulsionado por safras históricas e pelo avanço das exportações.
“Batemos recorde de produção, e a expectativa para este ano é de 353 milhões de toneladas. Também batemos recorde de exportação no ano passado, com 169 bilhões de dólares vindos do agro”, disse.
Outro ponto enfatizado por Alckmin foi a redução das taxas máximas de juros em linhas estratégicas de crédito rural, especialmente para médios produtores. No Pronamp, o volume previsto alcança R$ 72,6 bilhões, com juros de 9% ao ano.
Para o governo, a queda da Selic abre espaço para ampliar o acesso ao crédito e garantir maior previsibilidade aos produtores rurais.
CAMPO + SUSTENTÁVEL
O Plano Safra 2026/2027 ampliou os incentivos à produção sustentável e reforçou mecanismos de proteção contra riscos climáticos e perdas no campo. Entre as medidas anunciadas pelo governo federal está a redução de até 1 ponto percentual nas taxas de juros de custeio para produtores que adotarem boas práticas ambientais e mantiverem regularização ambiental das propriedades.
O desconto será dividido em duas frentes: até 0,5 ponto percentual para produtores com Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado e outros 0,5 ponto percentual para aqueles que adotarem práticas agropecuárias sustentáveis, padrões de gestão e certificações reconhecidas.
Segundo o governo, a medida busca estimular uma agricultura mais eficiente e ambientalmente responsável, associando melhores condições de crédito à adoção de práticas sustentáveis.
GESTÃO DE RISCOS
Outro eixo do programa é o fortalecimento da gestão de riscos no campo. O Plano Safra reforça o uso do Proagro e do seguro rural como instrumentos de proteção da produção agrícola e de segurança para o sistema de crédito. A renegociação de operações de custeio agrícola ficará vinculada à contratação de cobertura por seguro rural ou Proagro.
A proposta é reduzir a dependência de medidas emergenciais após perdas provocadas por eventos climáticos, compartilhando responsabilidades entre produtores, instituições financeiras e poder público.
O governo também anunciou medidas voltadas à adaptação climática da agropecuária. Durante a cerimônia de lançamento do Plano Safra, foi assinada portaria que cria um Grupo de Trabalho Especial coordenado pelo Ministério da Agricultura, em parceria com o Inmet e a Embrapa, para avaliar os impactos do fenômeno El Niño sobre a produção agropecuária brasileira.
O grupo deverá identificar regiões e cadeias produtivas mais vulneráveis e propor ações de mitigação, adaptação e proteção aos produtores rurais.
Outra medida anunciada foi a criação do primeiro padrão nacional de identidade e qualidade para o DDG, subproduto do etanol de milho utilizado na alimentação animal. A regulamentação estabelece critérios de classificação, qualidade e rotulagem, com o objetivo de ampliar a segurança jurídica e dar maior previsibilidade ao mercado.
Segundo o governo, o novo Plano Safra combina ampliação do crédito, redução de juros, incentivo à sustentabilidade, modernização produtiva e fortalecimento da resiliência climática da agropecuária brasileira.
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