
Foto: Ricardo Stuckert
O debate realizado pela Band, na noite deste domingo (18), foi marcado por ataques pessoais, afirmações falsas e questionamentos deixados sem resposta por Flávio Bolsonaro (PL).
No lugar de propostas, o adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fugiu das perguntas sobre temas como licença-maternidade, fim da escala 6×1, o modelo neoliberal de Javier Milei na Argentina, sua atuação no caso da morte de uma criança e os recursos negociados com Daniel Vorcaro supostamente para o filme sobre seu pai.
Lula cobrou, por exemplo, por que Flávio votou contra a ampliação da licença-maternidade, em 2009, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. O candidato não apresentou qualquer justificativa desferindo ataques ao filho de Lula e revelando sua contradição no discurso de defesa da família e dos direitos das mulheres.
O presidente também questionou Flávio sobre os R$ 134 milhões pedidos pelo adversário a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso sob acusações de arquitetar o maior crime financeiro da história do país. Flávio também não explicou o que fez com o dinheiro, não detalhou o caminho dos recursos, apenas elogiou seu pai.
Esteve clara a estratégia de Flávio de interditar o debate e escapar de questionamentos sobre contradições ou acusações graves.
O presidente nacional do PSB, João Campos, acompanhou Lula nos estúdios da Band. Na saída, João criticou a participação de Flávio. “É impressionante como o candidato Flávio Bolsonaro conseguiu transformar o debate num circo. A forma debochada, agressiva, provocativa, primeiro mostra uma falta de compromisso com o povo brasileiro e com o nosso país. Falta de conhecimento para se aprofundar em temas importantes. Isso não é postura nem de um candidato a presidente, e a gente lamenta essa postura”, afirmou.
João Campos também cumprimentou o presidente Lula por sua postura no debate: “Quero parabenizar o presidente Lula, que se manteve altivo, falando de futuro e do Brasil, falando daquilo que ele já fez pelo país, e com certeza, a vitória tá muito perto”.
Como não obteve resposta, o presidente Lula insistiu na pergunta sobre a ampliação da licença-maternidade, proposta apresentada por Marcelo Freixo que garantia seis meses de licença às servidoras estaduais, com possibilidade de prorrogação por mais três. Flávio foi o único a se opor na primeira votação, aprovada por 45 a 1.
“Você não respondeu a pergunta. O que que você tem contra garantir que as mulheres tenham apenas mais dois meses para cuidar de uma criança? Por que que você votou contra?”, cobrou.
No lugar de explicar seu voto contra um período de convivência maior da mãe com o bebê nos primeiros meses de vida, Flávio repetiu ataques a familiares de Lula.
O fim da escala 6×1 foi outro tema que expôs Flávio mais uma vez no debate. Crítico contumaz à PEC que garante mais um dia de descanso ao trabalhador, o senador foi cobrado por Lula e não explicou a mudança de opinião às vésperas da votação no Senado Federal.
Flávio defendia uma proposta que prevê contratação por hora, negociação livre entre patrão e empregado, remuneração e direitos proporcionais ao tempo trabalhado. Essa posição ficou clara nomovimento do coordenador de sua campanha, Rogério Marinho (PL-RN), que tentou dificultar o avanço da tramitação da redução da jornada.
Como o PL não conseguiu impedir a votação e a aprovação da PEC pelo fim da jornada 6×1, Flávio acabou mudando seu voto, participando da votação de forma remota. Já há, no entanto, intenção do PL de reapresentar a proposta, caso Flávio seja eleito.
O modelo de governo do presidente argentino Javier Milei, elogiado por Flávio, foi criticado por Lula na sequência do debate. “Já que você é amigo do Milei, você tem acompanhado como está a Argentina? Você continua dizendo que que o teu modelo é o modelo do Milei?”, provocou. Flávio não respondeu, mais uma vez, e Lula insistiu: “Você sabe qaunto é que tá a pobreza, quanto está o desemprego, tem acompanhado a economia? Se não tem leia, pra nunca mais dizer que vai seguir o Milei”, afirmou Lula, referindo-se à crise econômica profunda e ao aumento da pobreza e do desemprego.
“Você vai pedir a motosserra emprestada do Milei?”, perguntou Lula, diante do adversário que tem afirmado que irá fazer um ‘tesouraço’ nas despesas públicas. O presidente insistiu: “A tesourada vai cair nas costas de quem?”.
Na área da segurança, Lula indagou Flávio sobre sua atuação em favor de um policial acusado de matar uma criança de 5 anos, atingida por um tiro de fuzil.
“Você era senador da República e foi interferir para que um policial que matou uma criança de 5 anos com a bala de fuzil não fosse preso. Me explica por que você fez isso”, questionou.
Ana Clara Gomes Machado foi ferida quando brincava na frente de casa e morreu, em 2 de fevereiro de 2021, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói (RJ). Flávio já era senador e advogou na defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de matar a menina.
Como durante todo o debate, Flávio não esclareceu o porquê de sua atuação e mudou o assunto para o voto de pessoas presas e mais ataques pessoais a Lula.
Assessoria de Comunicação/PSB Nacional



