O PSB registrou 24 candidaturas de pessoas LGBTQIA+ nas eleições de 2026, número que coloca o partido em terceiro lugar entre as siglas com maior número de candidaturas que representam diferentes orientações sexuais e identidades de gênero. O dado considera o levantamento atualizado das candidaturas registradas na Justiça Eleitoral.
As eleições deste ano são as primeiras gerais em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) coleta, no registro de candidatura, informações sobre orientação sexual. Segundo levantamento divulgado pelo portal G1 com base nos dados da Justiça Eleitoral, 406 candidatos se declararam LGBTQIA+ entre os 20.575 concorrentes registrados no país, o equivalente a 2% do total.
O número representa um novo marco de visibilidade para a população LGBTQIA+ na política. Dos candidatos registrados, 11.334 informaram sua orientação sexual, enquanto 9.241, ou 45%, optaram por não responder ao campo. Entre os que informaram, 10.928 se declararam heterossexuais e 406, LGBTQIA+.
O cruzamento dos dados de orientação sexual com os partidos mostra uma concentração maior de candidaturas LGBTQIA+ em partidos de esquerda. PT e PSOL concentram os maiores números absolutos de candidaturas. O PT reúne 40 candidatos, enquanto o PSOL soma 39. O PSB aparece na terceira posição, com 24 candidaturas.
“A ampliação da presença LGBTQIA+ nas urnas reforça o compromisso do PSB com a construção de uma política mais plural e representativa da sociedade. A participação de diferentes grupos sociais nos espaços de decisão contribui para que o Congresso Nacional e os demais níveis do Legislativo reflitam a diversidade da população”, afirma a secretária nacional da LGBT Socialista, segmento organizado do PSB, Tathiana Araújo.
A coleta inédita da orientação sexual pelo TSE permite, pela primeira vez em uma eleição geral, dimensionar a presença de candidatos LGBTQIA+ no processo eleitoral brasileiro. A possibilidade de identificação formal representa um avanço em relação aos pleitos anteriores.
Representatividade
Tathiane Araújo destaca a necessidade de ampliar a visibilidade de pessoas LGBTQIA+ e com deficiência na política. Ela, no entanto, critica a ausência desses grupos em uma campanha do TSE sobre representatividade. “O próprio TSE também faz uma campanha na televisão dizendo que é importante ampliar as candidaturas de mulheres, negros e indígenas, mas esquece as pessoas com deficiência e as pessoas LGBTs”, criticou.
Candidata a deputada federal, Tathiane afirma que, apesar dos avanços, é preciso garantir que esses grupos também sejam contemplados nas ações de incentivo à participação política. “Mesmo a gente tendo esse avanço, não pode, em nenhum momento em que o TSE vai fazer o reconhecimento de que as minorias precisam aparecer, se esquecer das pessoas que mais sofrem ainda pela exclusão social e pelo preconceito, que são as pessoas LGBTs, e das que mais sofrem com a falta de acesso, que são as pessoas com deficiência”, acrescentou.
Estudo baseado em dados do IBGE e publicado em 2023 estima que cerca de 12% da população brasileira se identifica como LGBTQIA+.
A presença de candidatos LGBTQIA+ também se distribui por diferentes cargos, com maior concentração nas disputas para as Assembleias Legislativas e para a Câmara dos Deputados.
Em 2024, 233 pessoas LGBT+ foram eleitas nas eleições municipais, número que representou crescimento de 100% em relação aos pleitos de 2020 e 2022.



