Em reunião da Executiva Nacional do PSB, realizada na tarde desta quarta-feira (14), o presidente da Fundação João Mangabeira (FJM), Carlos Siqueira, fez uma avaliação da conjuntura política nacional pós-primeiro turno das eleições de 2026.
Em sua análise, Siqueira destacou que o resultado nas eleições evidenciou os desafios enfrentados pelo PSB e pela esquerda brasileira diante de um cenário político marcado pelo avanço da direita e, principalmente, da extrema-direita, pela defesa de políticas econômicas ultraliberais e pelo crescente sentimento de insatisfação da população.
Para ele, o avanço da extrema-direita está relacionado, entre outros fatores, à capacidade desse campo de se apresentar como alternativa de mudança, enquanto a esquerda corre o risco de ser identificada com a manutenção do status quo.
“A esquerda passou a ser a defensora do status quo. Quem está falando de mudança é a extrema-direita, e não é nem o centro”, avaliou. Para o presidente da FJM, a dificuldade de apresentar uma agenda transformadora favorece o crescimento de forças políticas que prometem respostas aos problemas nacionais, ainda que não signifiquem soluções verdadeiras e atentem contra os direitos humanos e os princípios democráticos.
“Todos nós estamos assistindo a um momento absolutamente diferenciado do tempo que vivemos desde a Nova República até as eleições de 2018. E desde 2018, nós vivemos um processo de mudanças radicalizadas pela extrema-direita que exigem da esquerda uma reflexão crítica sobre sua atuação e a capacidade de apresentar alternativas concretas para os problemas nacionais”, disse.
Na avaliação do dirigente, a ausência de transformações estruturais em áreas essenciais contribui para o distanciamento entre a esquerda e as expectativas da sociedade. Ele defendeu que o campo progressista recupere sua capacidade histórica de apresentar soluções e promover mudanças concretas na vida dos brasileiros.
“A esquerda existe para promover mudanças e mudanças maiores, modernização da máquina administrativa, melhora no sistema e na qualidade de ensino, temos que aumentar a eficácia do SUS, formular políticas públicas capazes de enfrentar o avanço do crime organizado. Saúde, educação e segurança pública são os grandes problemas do país que precisam de soluções”, destacou.
Siqueira também chamou a atenção para a crise de confiança nas instituições, especialmente no sistema de Justiça. Segundo ele, a esquerda precisa ter disposição para discutir mudanças institucionais e exercer a autocrítica.
Diante desse cenário, o socialista ressaltou a importância do papel do PSB na construção de uma agenda de renovação política e programática. Ele defendeu que o partido reúna lideranças, especialistas, movimentos sociais e representantes da sociedade civil para formular propostas voltadas aos principais desafios do país.
“Se nós tivermos um pensamento, uma análise concreta e a formulação de políticas públicas para enfrentar essa situação, seremos capazes de construir um futuro diferente”, afirmou.
Assessoria de Comunicação/PSB Nacional



