Cristovam Buarque, atualmente candidato a deputado federal e integrante da chapa de Ricardo Cappelli ao governo do Distrito Federal, defendeu, em entrevista ao jornal Correio Braziliense, a criação de um sistema nacional de ensino que funcione em período integral.
O ex-governador do DF e ex-ministro da Educação decidiu voltar às urnas após um período em que se dedicou integralmente à escrita. O candidato falou sobre propostas para a educação brasileira e avaliou o cenário político atual.
Professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB), Cristovam disputou a Presidência da República uma vez, em 2006, e alimentava o desejo de tirar do papel ideias e propostas para a educação. “Somos responsáveis por cada criança que nasce. O governo federal tem responsabilidade pela erradicação do analfabetismo de adultos e pela implantação de um sistema nacional, único e público de educação de base.”
Carreira nacional
Cristovam defendeu a criação de um sistema nacional, único e público de educação básica. Para ele, o país não conseguirá reduzir as desigualdades enquanto a qualidade do ensino continuar dependente da capacidade financeira de cada município.
A proposta envolve uma carreira nacional para professores, financiada pelo governo federal, além de equipamentos, edificações e padrões de funcionamento definidos nacionalmente. O ex-governador também ressaltou que as escolas devem funcionar em período integral.
Na avaliação dele, a prioridade não deve ser apenas ampliar o acesso ao ensino superior. O objetivo, segundo ele, é começar pela formação básica. Essas estratégias, ainda segundo Cristovam, são capazes de assegurar um padrão nacional de qualidade. Quanto a transferir aos municípios a responsabilidade pela educação básica, Cristovam avalia que esse é um processo difícil diante da escassez de recursos financeiros para manter uma estrutura educacional de alto nível.
O ex-ministro criticou, ainda, a forma como a esquerda e a direita costumam tratar o tema. Segundo ele, a esquerda tende a enxergar a educação pela perspectiva dos trabalhadores e professores, enquanto a direita a observa sob a ótica dos proprietários de escolas. Para ele, nenhuma dessas abordagens coloca a criança no centro da política educacional.
Retorno
Cristovam contou que não planejava voltar a disputar eleições. Nos últimos oito anos, escreveu 10 livros e mantém outros trabalhos em andamento, mas a mudança de planos, de acordo com ele, veio após cobranças para o retorno à política e da percepção de que a direita vinha ocupando espaço na capital federal. “O pessoal falava que eu me omitia, mas agora ninguém pode dizer isso.”
Ao avaliar o cenário político atual, considerou que a ascensão do bolsonarismo não deve ser interpretada apenas como uma vitória da direita, mas como uma derrota da esquerda. “Não é esquerda e direita. É um líder e outro”, afirmou. O ex-governador destacou que uma terceira via só surgirá quando houver propostas capazes de romper a polarização entre os dois campos.



