
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defendeu nesta segunda-feira (31) que o ajuste nas contas públicas deve combinar maior controle das despesas com medidas capazes de preservar o crescimento da economia, além da redução nos juros.
Segundo o vice-presidente, a redução dos gastos, por si só, pode provocar queda do Produto Interno Bruto, aumento do desemprego e recessão, sem solucionar o problema da dívida.
“Há que se fazer um esforço para melhorar a relação dívida sobre PIB, eu acho que essa é a questão central, não adianta eu corto, corto, corto e o PIB desaba, vou ter desemprego, recessão e não vou resolver o problema. A questão é aumentar o PIB segurando a despesa para melhorar a relação dívida PIB”, disse Alckmin durante participação em evento do BTG Pactual.
Alckmin criticou a atual taxa de juros, que pressiona o aumento da dívida pública e, consequentemente, sua relação com o PIB, que supera 82%. “Há um princípio da medicina que vale para a economia: suprima a causa que o efeito cessa. É preciso agir na causa, melhorando a despesa e estimulando o crescimento da economia”, disse Alckmin.
O vice-presidente ressaltou que o governo federal prevê encerrar o atual mandato com déficit primário zero e projeta superávit de 0,5% do PIB em 2027.
Alckmin lembrou do déficit de 9,7% do PIB em 2020, primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro (PL), que sofreu impacto da pandemia de covid-19. “É um déficit que tem que ir para o Guinness Book. Covid teve no mundo inteiro e o no México o déficit foi 0,5%”, criticou o vice-presidente.
Sobre a política monetária, Alckmin afirmou que os juros elevados são um obstáculo para a economia e defendeu uma redução mais rápida da taxa Selic. “É claro que entendo que o BC devia descer mais rápido os juros”.
Alckmin criticou ainda a política do Banco Central de elevar a taxa básica de juros após altas na inflação ocorridas por fatores conjunturais, como os efeitos climáticos em alimentos e a Guerra no Irã, que pressionou os preços de petróleo e combustíveis.
“Não sou economista, mas tem coisas que não adianta aumentar os juros. Elevar juros não vai fazer chover para ter mais alimentos e o petróleo é geopolítica”, disse. “Juro é o problemão para economia e custo de capital tem de ser associado à questão fiscal e à dívida pública”, completou Alckmin, que reforçou haver espaço para elevar o PIB com queda na despesa.
O vice-presidente também defendeu a continuidade de medidas voltadas ao crescimento econômico e destacou a regulamentação da reforma tributária como uma das principais agendas do próximo mandato. Na avaliação dele, a simplificação do sistema tributário contribuirá para elevar a eficiência da economia, estimular investimentos e ampliar a competitividade das exportações.



