
São Paulo (SP), 04/10/2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fala após resultados do primeiro turno das eleições 2026. Fotos: Paulo Pinto/Agencia Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma carta ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, na qual autoriza a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e de seus familiares pelos últimos oito anos, incluindo os cinco filhos e a primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, com autorização para ampla divulgação dos dados.
A iniciativa está condicionada a que seu adversário na disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato da extrema direita, também assuma o compromisso de liberar os próprios sigilos, os de seus familiares e os das empresas a ele vinculadas. Além da carta, uma petição sobre o assunto foi protocolada no TSE, que foi distribuída, por sorteio, ao ministro André Mendonça, que será o relator do caso.
O presidente também apresentou uma manifestação com o mesmo teor ao Supremo Tribunal Federal (STF).
“Eu estou disposto a que a sociedade brasileira saiba quem é ladrão nesse país, quem é corrupto. Vamos ver se ele [Flávio] tem coragem de abrir a vida secreta dele”, disse Lula, durante entrevista em São Luís (MA), nesta terça-feira (20).
A iniciativa retoma o desafio lançado durante o debate presidencial da TV Bandeirantes, realizado em 18 de outubro, e reiterado pelo presidente em entrevista coletiva em Porto Alegre, na segunda-feira (19). A campanha solicita que, caso Flávio Bolsonaro aceite o desafio, os dados sejam disponibilizados à população por meio do sistema DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral, ou de outra plataforma pública com acesso irrestrito.
O presidente nacional do PSB, João Campos, também cobrou que Flávio Bolsonaro aceite o desafio de Lula. Em publicação nas redes sociais após o debate presidencial da TV Bandeirantes, no domingo (18), o ex-prefeito do Recife criticou a postura do senador e reforçou a cobrança pela abertura dos sigilos. “Flávio, não corre mais não, abre o sigilo. O presidente lançou o desafio. Tá aí, abre o sigilo”, afirmou.
Em coluna publicada nesta terça-feira (20) no SBT News, o jornalista Túlio Amâncio informou que Flávio Bolsonaro não pretende aceitar o desafio de Lula para abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico. Segundo a publicação, aliados do senador que integram a campanha presidencial confirmaram que ele não deve aderir à proposta.
De acordo com a petição apresentada pela defesa do presidente Lula ao TSE, a liberação e a ampla divulgação dos dados vão abranger os seguintes familiares do presidente:
Rosângela Lula da Silva, a Janja, esposa do presidente;
Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha;
Marcos Cláudio Lula da Silva, filho;
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho que é alvo de investigações da PF;
Sandro Luís Lula da Silva, filho;
Luís Claudio Lula da Silva, filho.
Os filhos de Lula já manifestaram que estão de acordo com a liberação dos dados. A defesa do candidato, inclusive, juntou ao documento protocolado, na tarde desta terça (20), procuração dos familiares informando que eles autorizam a quebra dos sigilos.
Sigilos de Flávio
No caso de Flávio Bolsonaro, o pedido abrangeria, além da pessoa física do candidato, familiares e empresas relacionadas a ele:
Jair Bolsonaro, pai;
Rogéria Bolsonaro, mãe;
Carlos Bolsonaro, irmão;
Eduardo Bolsonaro, irmão;
Jair Renan Bolsonaro, irmão;
Fernanda Bolsonaro, esposa.
E também das seguintes empresas ligadas ao candidato do PL:
Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia;
All In One Corretora de Seguros Ltda;
Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda;
Bolsonaro Digital Ltda;
Alcazar Holdings, empresa de propriedade de Willer Tomaz, que tem uma conta em que Flávio foi cadastrado como “usuário master”.
Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal. Um deles, sobre lavagem de dinheiro, investiga a relação do candidato do PL com o advogado Willer Tomaz.
O outro inquérito trata do financiamento de “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Essa investigação apura negociações envolvendo recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção do filme.
A campanha pede que a divulgação ocorra antes de quarta-feira, 21. O documento fundamenta a iniciativa no artigo 14, parágrafo 9º, da Constituição Federal, que estabelece a probidade administrativa e a moralidade para o exercício do mandato como princípios a serem considerados na definição das condições de elegibilidade.
A proposta não depende de uma quebra de sigilo determinada pela Justiça, mas da autorização dos próprios envolvidos para disponibilizar as informações. A iniciativa consiste em apresentar os extratos e os documentos relativos às contas pessoais e empresariais ao Tribunal e à população.
A avaliação é que, com a adesão de Flávio Bolsonaro ao desafio e a apresentação voluntária dos documentos, seria possível viabilizar a divulgação sem aguardar os trâmites de uma quebra de sigilo determinada judicialmente.



