
Foto: Reprodução/Redes sociais
Professores e pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) entregaram ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), um manifesto com cerca de 1,2 mil assinaturas em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Intitulado “Docentes da USP. Pela vida, contra a barbárie”, o documento defende a democracia e a valorização da ciência e da educação pública, além de alertar para os riscos de um eventual retorno do bolsonarismo ao poder.
O manifesto denuncia os ataques às universidades públicas durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) e classifica como catastrófica uma possível vitória de Flávio Bolsonaro (PL). Entre os signatários estão nomes de destaque da academia brasileira, como Lilia Schwarcz, Renato Janine Ribeiro, Raquel Rolnik e Eugênio Bucci.
A comissão responsável pela entrega foi liderada por Adrian Fanjul, diretor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. O encontro com Alckmin ocorreu na última sexta-feira (16), ocasião em que o vice-presidente também recebeu um documento da Academia Brasileira de Ciências sobre os prejuízos causados pelo bolsonarismo à ciência brasileira.
“Vou levar esse documento às mãos do presidente Lula. Ficamos muito honrados e muito felizes com a confiança e o apoio de vocês. Todo apoio à democracia, à ciência, educação e desenvolvimento”, afirmou Alckmin.
Após o encontro, a professora Valentina Cantori, da FFLCH-USP, reforçou a importância do posicionamento público de pesquisadores e educadores diante do cenário político. “Estamos atravessando um momento que não admite silêncio nem neutralidade, e nós, como docentes, cientistas, pesquisadores e pesquisadoras, não podemos alegar desconhecimento de temas sobre os quais dispomos de evidências”, escreveu.
A professora também alertou para os impactos de uma eventual volta da extrema direita ao governo federal. “O retorno do bolsonarismo ao poder seria catastrófico para as universidades, a ciência, a educação, a saúde pública, o meio ambiente, a democracia, a soberania e o direito à vida.”
Manifesto destaca diferenças entre os governos Lula e Bolsonaro
O documento critica a condução da pandemia de Covid-19 pelo governo Bolsonaro e a postura de subserviência aos interesses do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em contraponto, destaca resultados atribuídos à gestão Lula, como a redução de 51% no desmatamento, a queda do desemprego e a retomada de programas sociais.
A manifestação dos docentes reforça o papel das universidades públicas na defesa do conhecimento científico, da democracia e dos direitos sociais. Ao reunir mais de mil assinaturas, o documento também evidencia a mobilização de setores da comunidade acadêmica em torno da continuidade de políticas públicas voltadas à educação, à ciência e ao desenvolvimento nacional.
Veja a íntegra do manifesto de professores da USP
“Nós, professores da Universidade de São Paulo, sabemos que a destinação de recursos para pesquisa e inovação cresceu significativamente durante o atual governo federal depois da redução drástica que eles tinham sofrido sob o bolsonarismo. Não esquecemos que as universidades públicas ficaram sem recursos, e pior, foram difamadas e atacadas pelas autoridades que o governo Bolsonaro nomeou em altos cargos para Educação, Ciência e Tecnologia, Saúde, Cultura e Meio Ambiente, autoridades cujo despreparo comprometeu políticas essenciais ao país.
Como cientistas, temos uma responsabilidade particular: não podemos alegar desconhecimento de temas sobre os quais dispomos de evidências, nem de dados que, caso não tenhamos presentes, conhecemos fontes confiáveis para conferir. Portanto, não ignoramos que:
Antes das vacinas, o distanciamento e o uso de máscaras eram essenciais para reduzir os contágios e as mortes por covid-19. Mas o governo Bolsonaro favoreceu a disseminação do vírus ao combater o distanciamento, promover medicamentos demonstradamente ineficazes e recusar e, depois, atrasar a compra de vacinas. Muitas mortes por falta de oxigênio na pandemia também teriam se evitado com planejamento de saúde pública.
O desmatamento e as queimadas agravam secas severas e chuvas intensas, que destroem moradias e ceifam vidas. No governo de Jair Bolsonaro, o desmatamento aumentou 54% em relação ao governo anterior. Com o atual governo federal, verificou-se uma redução de 51% desde 2022 (dados do Terra Brasilis/INPE).
O governo Trump não oculta pretensões sobre as terras raras e outras riquezas nacionais, como a família Bolsonaro também não dissimula sua subserviência a essas pretensões.
As investigações sobre a tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023 comprovaram planos que incluíam homicídios e a instauração de um regime de exceção.
A conjuntura atual, em que forças extremistas atuam internacionalmente de forma cada vez mais belicista e articulada, em aberto desrespeito ao direito internacional, prefigura o risco de que todas essas ações adquiram dimensões ainda mais bárbaras.
Com o atual governo federal, o desemprego caiu, atingindo 5,6% em agosto passado, e também a inflação diminuiu, de 25,26% no governo anterior a 18,2% no atual.
A retomada de programas de apoio à população carente retirou o Brasil do mapa da fome, e as cotas ampliaram o acesso às universidades, inclusive para integrantes de famílias beneficiadas por esses programas. Essas conquistas de inclusão social são objeto de hostilidade por parte do bolsonarismo, como mostram as recentes ameaças recebidas pela UFPE e a UFF, as invasões na UFAL, e as ações provocadoras que têm acontecido nos últimos anos em espaços da USP, Unicamp, Unifesp e outras instituições.
Podemos prever, portanto, que o retorno ao poder do bolsonarismo seria catastrófico para as universidades, a ciência, a educação, a saúde pública, o meio ambiente, a democracia, a soberania e o direito à vida. Seria, enfim, desastroso para a sociedade brasileira.
Diante desse grave perigo, conclamamos a votar, no segundo turno das eleições nacionais, na chapa Lula-Alckmin, e a somar esforços para a mais ampla unidade com esse objetivo.”
