
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Em uma vitória com virada histórica, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito, neste domingo (25), para seu quarto mandato à Presidência da República. Em sua chapa, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também seguirá no cargo por mais quatro anos de governo.
Com 100% das urnas apuradas, Lula foi reeleito com 51,79%, que correspondem a 64.256.232 votos válidos, em uma campanha que tomou o fôlego no segundo turno, com as manifestações nas ruas e nas redes sociais, mobilizando milhões de brasileiros e brasileiras.
Lula recebeu 10.289.240 votos a mais no segundo turno da eleição presidencial de 2026 em relação ao primeiro. Esse aumento supera a soma dos votos dos 10 candidatos eliminados no primeiro turno, que receberam, juntos, 9.316.747 votos.
A virada do resultado entre o primeiro e o segundo turnos ocorreu em 98 cidades com 100% das seções apuradas, segundo a parcial das 20h56 deste domingo (25), quando 84,73% das urnas do país estavam apuradas. O levantamento é parcial porque outros municípios ainda estavam em apuração. Minas Gerais concentra 23 das viradas, seguido pelo Paraná, com 16, e por São Paulo, com 15. Juntos, os três Estados reúnem 54 dos 98 casos. Também houve inversões no Tocantins (11), Rio Grande do Sul (8), Alagoas (7), Goiás (3), Espírito Santo (3), Amazonas (2), Mato Grosso do Sul (2) e Pará (2). Amapá, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte registraram uma virada cada.
Em seu primeiro discurso após a vitória, Lula afirmou que vai governar para todos e todas que elegeram os novos parlamentares do Congresso Nacional, e agradeceu à generosidade do povo brasileiro, especialmente da juventude.
“Tenho que fazer um agradecimento às pessoas que coordenaram nossa campanha, aos partidos que participaram conosco, mas queria agradecer ao povo brasileiro, pela generosidade que tem comigo há muito tempo, e à juventude brasileira. Quero agradecer às pessoas idosas, depois que vi hoje pessoas sendo carregadas pelos seus entes para ir votar, porque nós conseguimos convencê-las de que o voto era muito importante para segurar a democracia do nosso país. Queria agradecer à sociedade como um todo. Após a vitória, não tenho mais adversário. Tenho que governar para 215 milhões!”, ressaltou.
Sem citar o nome do candidato derrotado Flávio Bolsonaro, Lula voltou a chamar o adversário de miliciano, repetindo o que vinha dizendo nos debates e destacando que essa eleição foi da “derrota da mentira e do negacionismo”.
“Essa eleição foi uma derrota do negacionismo, da mentira. E eu confesso a vocês que, cada vez que eu ia a um debate, ficava constrangido, porque já debati com muita gente, já participei de muitas eleições, me reúno todo ano com o G20, com o Brics, com os principais presidentes do mundo, discutindo os principais assuntos do mundo, mas nunca pensei que iria me deparar com o representante genuíno do “milicianismo” desse país. Nunca imaginei que uma pessoa pudesse mentir tanto, com tanta desfaçatez, como se não tivesse dentro dele uma célula de humanismo. Parece tudo falso”, criticou.
Vice-presidente reeleito, Alckmin falou sobre sua gratidão ao povo brasileiro, especialmente aos jovens, às mulheres e aos idosos que “se sacrificaram” e foram votar.
“Eu trago uma palavra, presidente, ao senhor. Meu profundo respeito. O senhor, pela segunda vez, salvou a democracia brasileira. E conte conosco, com humildade e senso de responsabilidade, para trabalharmos juntos e estarmos à altura da confiança do povo brasileiro. Parabéns, presidente!”, disse.
Lula também destacou sua confiança em Alckmin como seu vice. “Feliz um presidente que tem um vínculo de qualidade, de lisura de comportamento e de liderança que eu tenho no Alckmin”, afirmou.
Em sua fala, Lula também falou de cuidar dos idosos e de respeitar mais as mulheres, prometeu a regulamentação das redes sociais, falou de transformar o país “em um país do desenvolvimento” e de investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS).
“Nós queremos fazer desse país um país do desenvolvimento, muito investimento na economia digital, na economia verde, na economia criativa. Este país vai ser construído não por mim, porque muitas das coisas que eu estou falando aqui é por vocês, porque nós vamos exercitar o potencial criativo desse povo para deixar de ser um país periférico, queremos ser um país central, nas políticas e na busca pela paz”, disse.
“Este país está pronto para ser construído, não vou falar de unidade nacional porque essa palavra nem sempre cabe neste país. Mas esse país tem que ser civilizado. Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos, com base no respeito à Constituição, na relação com o Congresso, porque já tem gente falando que o Lula vai ter dificuldade para governar, mas eu não escolhi o Congresso, foi o povo quem escolheu. E é com ele que eu vou trabalhar”, complementou o presidente reeleito.
O presidente nacional do PSB, João Campos, celebrou a vitória da chapa Lula-Alckmin. Ao coro de “olê, olá, Lula!”, em um vídeo publicado em suas redes sociais, ao lado da esposa e deputada federal reeleita Tabata Amaral (PSB-SP), Campos afirmou que “o Brasil venceu”. O presidente socialista integrou a coordenação nacional da campanha de Lula e considerou que esta foi uma eleição disputada, mas que a campanha de Lula representou a “escolha democrática” e destacou a força nas redes e nas ruas.
“O Brasil está num ambiente de divisão de escolhas, mas a gente acredita que só um lado representa a escolha democrática, de poder ter divergência, escutar e discutir. Poder defender um Brasil soberano, que valoriza sua terra, e que o povo que mais precisa seja cuidado. A grande diferença é essa. É alguém que sabe cuidar do povo de verdade. Eu vejo que no segundo turno a campanha do presidente Lula cresceu muito. A gente venceu nas redes, venceu nas ruas e na construção de um Brasil com propostas e ideias”, disse.
Com essa vitória, Lula se tornou o único presidente a conquistar quatro eleições e a assumir um mandato aos 81 anos.
Assessoria de Comunicação/PSB Nacional



