O candidato a vice-governador de São Paulo Márcio França (PSB), na chapa de Fernando Haddad, defendeu a ampliação de programas voltados à inclusão de jovens em situação de vulnerabilidade como parte da política para conter a violência. Em entrevista à Record News, França afirmou que o alistamento civil pode oferecer trabalho, retorno aos estudos, formação profissional e encaminhamento para o mercado a jovens de 17 a 19 anos, como enfrentamento à cooptação por facções criminosas.
O modelo foi adotado por França durante as gestões em que foi prefeito de São Vicente e governador do Estado. “Eu fiz isso quando fui prefeito, fiz isso quando fui governador naqueles poucos meses, com mais de 20 mil jovens”, afirmou. “Ele vem trabalhar com a gente durante um ano, é obrigado a voltar a estudar, faz um curso técnico, e tem um encaminhamento de vida”, defendeu.
Na avaliação do candidato, a iniciativa permite disputar com o crime organizado jovens que estão em situação de vulnerabilidade. “Os jovens são os meninos que estão naquela decisão crucial da vida, se vai para o lado daqui, vai para o lado de lá. Se ele não tiver a oportunidade, ele acaba sendo cooptado”, argumentou.
Para a área de segurança pública, França defendeu o endurecimento de penas, em determinados casos, e o uso de câmeras corporais com acionamento eletrônico nas polícias. Segundo ele, a tecnologia deve ser utilizada com regras que preservem situações específicas. “A câmera tem que ser acionada eletronicamente, o Haddad já falou isso, e eu acho que é correto”, explicou.
Durante a sabatina, o ex-governador criticou o modelo de privatização da Sabesp e afirmou que a operação foi realizada por um valor abaixo do que a companhia poderia gerar. O candidato também questionou a promessa feita pelo atual governador Tarcísio de Freitas de que a tarifa de água não aumentaria. “Foi uma péssima venda”, opinou.
O candidato criticou ainda a fiscalização dos serviços após a privatização e problemas no abastecimento de água e na drenagem em diferentes regiões do Estado. “A água da Sabesp, aqui hoje, em vários lugares de São Paulo que você vai, está chegando suja”, afirmou. França também citou os impactos das chuvas no Vale do Ribeira e defendeu maior fiscalização sobre os serviços prestados.
Na área ambiental, o ex-governador de São Paulo propôs a preservação de áreas verdes e dos mananciais como parte de uma política de prevenção de enchentes e outros eventos extremos. “Principalmente, você precisa manter espaços verdes de pé”, afirmou. “Os mananciais não podem ser ocupados. Quando você ocupa o manancial, na verdade, você está acendendo um fósforo para o futuro”, declarou.
Já na área da saúde, França defendeu a integração dos sistemas das redes municipais e estaduais de atendimento, além do fortalecimento do serviço público. “Hoje, os sistemas não estão todos integrados. A partir do instante que o cara tem aquele problema, qualquer que seja de saúde, ele vai cair em uma rede pública e essa rede pública é que mantém todo mundo vivo”, disse.
“A lógica do pensamento do Tarcísio, não é dele especialmente, mas é um pensamento, é que o serviço público tem que ser enxugado, ele tem que ser privatizado, todo mundo tem que ter um plano de saúde, pagar o privado e aí o privado conserta tudo”, afirmou. “Quando teve, por exemplo, a pandemia, você não ia no Einstein nem no Sírio para tomar uma vacina, porque não estavam abertos. Quem fica aberto é o público”, complementou.
Educação
França falou sobre a perda de posições de São Paulo no ranking nacional de qualidade do ensino e a ênfase dada ao uso de ferramentas digitais na educação estadual. “São Paulo era a primeira colocada do ranking nacional em qualidade. Hoje, na mão do Tarcísio, nós somos a décima colocada”, criticou. No Ideb 2025, a rede estadual paulista ficou em 10º lugar no ensino médio, ante a 8ª posição em 2023. Em 2015, ocupava o primeiro lugar nessa etapa. Para o candidato, aplicativos e internet são importantes, mas não substituem o professor. “É importante ter o aplicativo, é importante ter a internet, mas quem dá aula é professor”, afirmou.
O ex-governador de São Paulo também questionou uma política de distribuição de recursos para manutenção das escolas que, segundo ele, prevê menos verba para unidades com desempenho mais baixo dos alunos, justamente as que mais necessitariam de recursos. “A lógica do mundo todo é o contrário, é você tentar ajudar as pessoas que mais precisam”, afirmou.
França afirmou ainda que a redução da tarifa do transporte público é um dos desafios do Estado e defendeu o aumento dos subsídios para permitir que a população utilize o transporte de forma gratuita. “O ideal, claro, é metrô, transporte de massa, transporte de grande quantidade, não ônibus”, afirmou. Ele também criticou o cancelamento do projeto do metrô no ABC e a substituição por um sistema de ônibus rápido.
Assista a íntegra da entrevista:




