O candidato do PSB ao governo de Santa Catarina, Gelson Merisio, elegeu a segurança pública entre as prioridades de seu plano de governo. Durante sabatina promovida pela NDTV RECORD, na segunda-feira (7), ele defendeu a ampliação dos efetivos das polícias Civil e Militar e o reforço das políticas de enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher.
Merisio criticou a atual gestão do governador Jorginho Mello (PL) pela redução do efetivo policial e afirmou que Santa Catarina precisa ampliar o número de agentes nas ruas. Para o candidato, a política de segurança pública não deve se limitar aos índices de homicídios, mas também enfrentar outras formas de violência que afetam a população, especialmente a violência doméstica e o feminicídio.
“Nós temos menos policiais civis, menos policiais militares que em 2023. Não construímos nenhum presídio novo em oito anos. Nós falamos que é a melhor segurança pública do Brasil. Está no estado mais seguro do Brasil. O mais seguro para quem?”, questionou.
Segundo Merisio, o atendimento às mulheres vítimas de violência deve estar disponível a qualquer momento, especialmente diante dos primeiros sinais de agressão, com estrutura adequada para acolhimento, orientação e proteção. O candidato criticou a falta de atendimento ininterrupto nas Delegacias da Mulher e afirmou que a ausência de efetivo impede que as vítimas tenham acesso ao serviço justamente nos momentos de maior urgência.
“Você não sabe uma noite que uma mulher tem um feminicídio, uma ameaça de feminicídio, ou tem uma ameaça qualquer. Se ela for numa delegacia, ela está fechada”, criticou.
Ele afirmou que o Estado precisa retomar uma relação institucional mais próxima com o governo federal para ampliar investimentos e garantir recursos para áreas estratégicas, além de adotar um projeto de desenvolvimento de longo prazo. “Nós temos que reencontrar Santa Catarina no Brasil. Nós estamos de costas para o governo federal já tem oito anos”, afirmou Merisio.
Ele criticou o que considera uma concentração excessiva dos investimentos no litoral e defendeu medidas para estimular a industrialização e a geração de empregos no interior. “O que importa é a visão de Estado, um projeto claro de desenvolvimento, combater a litoralização, ter vocação no que são as nossas fortalezas, e o turismo é uma delas.”
Merisio afirmou que Santa Catarina teve forte crescimento da arrecadação nos últimos anos, mas questionou a ausência de investimentos estruturantes. Ele citou obras rodoviárias, segurança pública e infraestrutura como exemplos de áreas que deveriam receber mais recursos. “Sobra dinheiro e falta projeto. Quais são os projetos de infraestrutura real do Estado?”
Entre as prioridades, mencionou a duplicação de trechos rodoviários considerados estratégicos, como a ligação entre Brusque e Blumenau, além de obras para melhorar a mobilidade na região do Vale do Itajaí.
Saúde
Na área da saúde, Merisio propôs a criação de 16 centros de especialidades distribuídos pelo Estado, em parceria com municípios e governo federal. A ideia é descentralizar o atendimento e reduzir os gargalos entre a atenção básica, as consultas especializadas e as cirurgias. “O plano da saúde não é recurso, é gestão”, apontou.
Merisio defendeu ainda a possibilidade de o Estado contratar serviços da rede privada para ampliar a capacidade de atendimento pelo SUS, especialmente para reduzir o tempo de espera por procedimentos.
Tarifa zero no transporte coletivo
Merisio também defendeu a discussão sobre a implantação da tarifa zero no transporte coletivo regional. Segundo ele, a proposta precisa ser analisada a partir de uma nova lógica de financiamento, com participação do Estado e integração dos diferentes custos que hoje compõem as tarifas.
O candidato afirmou que a medida poderia ser especialmente importante nas regiões metropolitanas de Florianópolis e Joinville. “Eu acredito que vale a pena trabalhar nisso. Nas regiões metropolitanas, não tenho nenhuma dúvida que a tarifa zero é um grande ganho.”
Para viabilizar a proposta, Merisio defendeu investimentos paralelos na qualidade do transporte, incluindo corredores exclusivos, melhoria da frota e estudos para implantação de sistemas como o VLT.



