A candidata ao Senado pelo PSB em Goiás, Isaura Lemos, afirmou que pretende levar ao Congresso uma agenda voltada à população de baixa renda, com prioridade para moradia popular, saúde, educação e melhoria das condições de vida dos trabalhadores. Em entrevista ao programa Domingos Conversa, na segunda-feira (17), ela também criticou propostas de candidatos de extrema direita que defendem o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e disse que, caso eleita, pretende atuar pela redução dos juros e ampliação de políticas sociais.
Com trajetória ligada aos movimentos populares e à luta por moradia, Isaura afirmou que decidiu disputar o Senado para representar a população que mais precisa. “Em quase todos os estados, o Senado elege milionários ou pessoas que defendem os interesses de milionários e empresários. Nós temos que dar um basta nisso. Temos que colocar no Senado pessoas que representem a maioria da população, que ganha até R$ 3 mil. Porque votar em um candidato ao Senado que foi eleito deputado federal e não fez nada pelo povo?”, questionou.
Durante o período em que viveu na clandestinidade, em razão da perseguição política sofrida pelo marido, Isaura trabalhou na zona rural e teve contato direto com as dificuldades enfrentadas por famílias pobres. Ela contou que, ao longo da carreira, participou da construção de entidades ligadas ao fortalecimento dos movimentos sociais, especialmente dos movimentos de luta por moradia e pelos direitos das mulheres. Em Goiás, foi eleita deputada estadual por cinco mandatos consecutivos, sempre no campo da esquerda.
“Nós sabemos que os senadores eleitos em Goiás ou são empresários ou são aqueles que estão contribuindo com os empresários. E nós queremos representar o povo mais sofrido do Estado, aquela população que, de fato, está ainda se debatendo com problemas graves para sua existência”, complementou.
Na área habitacional, Isaura defendeu a ampliação e a aceleração dos programas de moradia, como Minha Casa Minha Vida, o Cheque Reforma e o Cheque Construção. Ela afirmou que pretende apresentar ao presidente Lula uma proposta de renovação do Minha Casa Minha Vida para ampliar o atendimento a famílias que ainda não conseguiram adquirir uma casa. Segundo ela, o movimento do qual participa ajudou cerca de 40 mil famílias a deixar o aluguel.
Questionada pelo jornalista Domingos Ketelbey sobre a atuação de candidatos de extrema direita que defendem chegar ao Senado para pautar o impeachment de ministros do STF, Isaura afirmou que essa não deveria ser uma prioridade do Congresso. Para ela, o eleitor espera medidas capazes de produzir mudanças concretas. “Isso mostra que eles não têm proposta, porque o povo vota para fazer diferença nas suas vidas e não para pedir o impeachment de ministro. Inclusive, porque essa não é uma pauta importante, a meu ver”, avaliou
“O que é importante é fazermos uma reforma no Judiciário para que os ministros, os juízes, também tenham um compromisso com a população e que possam, de fato, em todos os órgãos públicos, em todos os serviços, instituições, ter pessoas boas e ter pessoas que só pensam nos seus interesses e defendam os interesses do povo”, opinou.
Isaura também criticou o pagamento de altos juros bancários no país e defendeu que recursos naturais sejam revertidos em melhorias para saúde, educação e moradia. Para ela, o país precisa da criação de “um teto para os juros”, em vez de teto para gastos públicos. No Senado, eu iria, sim, questionar totalmente a questão de mandarmos um terço das nossas riquezas para pagar juros de banco. Eu acho que nós temos que ter teto de juros”, afirmou. “Nós somos um país rico. Ontem mesmo pontuamos a sexta economia que mais cresceu no mundo. E podemos, com as terras raras, com o petróleo, com outras riquezas que nós temos, oferecer uma vida muito melhor para os brasileiros e para os goianos”, defendeu.
A candidata do PSB disse ainda que a esquerda em Goiás está unida e organizada e que pretende ampliar a votação do presidente Lula no estado e transformar esse desempenho em apoio às candidaturas progressistas ao Senado. “Na medida em que o eleitor vai ter que votar em duas candidaturas, nós preferimos que haja duas candidaturas de esquerda. E o eleitor deve analisar que a direita nada fez por ele até hoje. Quando o Temer, que é de direita, assumiu, o que ele fez? Acabou com a aposentadoria. O Bolsonaro acabou com os direitos trabalhistas. Então, se você, trabalhador, pensar em você e na sua família, você vai votar em duas candidaturas de esquerda”, declarou.
Entre as propostas que pretende levar ao Senado, Isaura citou o enfrentamento ao feminicídio. Segundo ela, o problema tem múltiplas causas e o consumo de álcool aparece com frequência nos casos de violência contra as mulheres. A candidata defendeu campanhas de conscientização e uma regulamentação maior da publicidade de bebidas alcoólicas. “Temos visto que a questão do feminicídio é uma pandemia, não só no Brasil, mas no mundo todo”, afirmou.
Assista a íntegra da entrevista:



