O Recife passou a reconhecer oficialmente o escritor e dramaturgo Ariano Suassuna como Patrono da Cultura da cidade. A lei, de autoria do vereador Rinaldo Júnior (PSB), foi sancionada pelo prefeito Victor Marques nesta quinta-feira (24), e reforça o papel histórico de Suassuna na formação artística e intelectual da capital pernambucana.

Presidente de honra do PSB, Ariano Suassuna faleceu em 2014, aos 87 anos, deixando um prolífico acervo que traduz a exaltação da identidade nordestina e a firme defesa da cultura brasileira.

“Estou muito feliz por ter meu DNA nesta história. Eu jamais imaginei, quando criança e estudante de escola pública, que teria a oportunidade de ser vereador do Recife e estar ao lado da família de Ariano, propondo uma lei dessa relevância. Para mim, é motivo de profunda alegria e orgulho”, declarou Rinaldo Júnior.

O prefeito Victor Marques enfatizou que o reconhecimento oficial apenas formaliza um vínculo que a própria população já reconhecia nas ruas e na história da cidade. “Este é um ato representativo e simbólico de algo que o Recife já vive. Ariano é uma das maiores referências da cultura e da literatura do Brasil, e sua trajetória se confunde com a própria alma recifense”, disse.

A homenagem foi recebida com emoção pelos familiares do escritor, que recordaram a influência decisiva da cidade em sua vida pessoal e artística. João Suassuna, neto de Ariano, ressaltou como o Recife transformou a obra do avô. “Eu digo que o amor de Ariano pelo Recife é de ‘A a Zélia’. Ele veio estudar aqui, conheceu minha avó Zélia e teve a vida transformada. Ariano, que antes dela só escrevia tragédias, foi inspirado por esse amor a descobrir o riso, a leveza e a graça. Com essa lei, o Recife oficializa o que já estava sedimentado no coração do nosso povo.”

Nascido na Paraíba em 1927, Ariano Suassuna transferiu-se para o Recife em 1938, onde cursou Direito e iniciou sua vasta produção intelectual.

Apesar de ser paraibano, o escritor desenvolveu todo seu trabalho intelectual na capital pernambucana e promoveu o nome do estado em boa parte de suas obras.

Autor do clássico O Auto da Compadecida, foi poeta, romancista, ensaísta, dramaturgo, professor e artista plástico. Fundou o Movimento Armorial nos anos 1970 e atuou no Teatro de Estudantes de Pernambuco (TEP) e no Movimento de Cultura Popular (MCP).

Desenvolveu projetos fundamentais ao lado de nomes como Hermilo Borba Filho, Paulo Freire e Francisco Brennand.

Esteve à frente das Secretarias de Cultura do Estado de Pernambuco e da Prefeitura do Recife, promovendo a democratização do acesso às artes.

Imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), da Academia Pernambucana de Letras e da Academia Paraibana de Letras, teve suas obras traduzidas para diversos idiomas, incluindo inglês, francês, espanhol, alemão e polonês.