Em entrevista ao programa CB.Poder, parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília, Sofia Carvalho (PSB), candidata a vice-governadora do Distrito Federal na chapa de Ricardo Cappelli (PSB), apresentou as propostas da candidatura para o setor rural e destacou o papel da agricultura familiar na preservação ambiental da capital federal.
Às jornalistas Ana Maria Campos e Sibele Negromonte, Sofia Carvalho defendeu o desenvolvimento do maquinário e fortalecimento dos mecanismos de compra, cooperativas e associações. A agricultora familiar também falou sobre a agenda das mulheres e afirmou ser necessário que o Estado garanta uma rede de apoio para esse grupo. O episódio é o primeiro de uma série de sabatinas com candidatos a vice-governador.
Quais são as principais demandas dos agricultores familiares no DF?
Precisamos de uma economia mais pujante para o nosso setor. Ano após ano acompanhamos as taxas da ocupação irregular e o avanço da cidade sobre os núcleos rurais. Isso tem engolido a capacidade de eles se desenvolverem. A disputa da especulação imobiliária com a agricultura familiar vai fragmentando nosso setor. Trata-se de um contexto em que a juventude rural vem sendo desestimulada a tocar as atividades no campo, porque a gente não tem, no DF, um programa que olhe para como a gente pode mecanizar esse trabalho. Vende-se a imagem da agricultura familiar como algo romântico. Na realidade, o trabalho da produção de comida é muito penoso. As mudanças climáticas também dificultam o trabalho e o serviço de quem está exposto ao sol, como os agricultores e quem trabalha com construção civil.
Quais políticas públicas podem ser elaboradas para estimular os jovens a continuarem no campo?
Precisamos desenvolver maquinários para tornar o nosso trabalho mais atrativo e, com isso, reduzir os custos de produção. Dessa forma, melhoramos a renda de quem está vivendo da produção de comida. Por outro lado, precisamos fortalecer os mecanismos de compra da agricultura familiar, as compras públicas. Uma utopia pela qual a gente tem que lutar. Nosso governo tem compromisso em trabalhar para chegar lá. Para que os restaurantes comunitários, as escolas e os hospitais públicos sejam abastecidos com a comida orgânica da agricultura familiar. Além disso, o governo local precisa fortalecer o trabalho das cooperativas e das associações da agricultura familiar para que elas ocupem mais o mercado privado. Temos condições para abastecer mais os restaurantes e dinamizar a economia da produção local. No entanto, falta aprimoramento dos processos de gestão da agricultura familiar. O governo pode ajudar a fomentar a capacidade de comercializar e nos colocar em contato com os clientes do mercado privado. São importantes as cooperativas para juntar todos os agricultores.
Qual é a proposta da chapa para juntar a agricultura familiar à questão ambiental?
Precisamos usar as áreas rurais como cinturão verde, que é o que, de fato, estava previsto no projeto de Brasília. Necessitamos fazer desse cinturão um local onde a gente produza comida e aumente a capacidade para fazer fotossíntese. Esse processo tira o carbono, que está aquecendo a atmosfera, do ar e coloca no solo, o melhor destino que a gente tem para ele hoje. Precisamos acelerar esse processo. Eu trabalho com agrofloresta, e o que a gente faz é desenvolver uma economia na produção de comida. Conseguimos plantar frutas e hortaliças ao mesmo tempo em que a gente maneja árvores. Então, a gente aumenta a capacidade de uma roça, de uma área de produção de comida, e faz dessa mesma área um sumidouro de carbono.
De que forma a senhora pode ajudar na agenda das mulheres?
Temos um deficit muito grande de mulheres nos espaços de tomada de decisão e, mais ainda, de mulheres comprometidas com agendas que de fato transformam a vida de outras mulheres. Quando pensamos no trabalho do cuidado, que é majoritariamente encabeçado por mulheres, entendemos que toda a nossa economia é sustentada por uma jornada dupla ou tripla desempenhada por esse grupo. Essas jornadas não são remuneradas e, muitas vezes, sequer reconhecidas como trabalho. Precisamos pensar como o Estado pode garantir a rede de apoio para que as mulheres possam estar no lugar onde querem estar. Não podemos deixar que sejam deixadas à sorte de ter uma rede de apoio favorável.



