O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), anunciou o lançamento pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) do Fundo de Descarbonização estadual, com foco na transição energética e na redução das emissões de gases de efeito estufa, nesta terça-feira (27).
O lançamento posiciona o Espírito Santo entre os estados brasileiros que avançam na estruturação de instrumentos financeiros voltados ao desenvolvimento sustentável, sobretudo na utilização de recursos provenientes de combustíveis fósseis para promover a transição energética.
Durante o lançamento, Casagrande destacou as ações do Governo no enfrentamento às mudanças climáticas e na transição energética, como o Programa Reflorestar, criado em 2011, o avanço no Cadastro Ambiental Rural e, mais recentemente, a instituição do Programa Capixaba de Mudanças Climáticas.
“Temos tratado a agenda climática no Espírito Santo com ações concretas há muitos anos. Implantamos políticas de reflorestamento, controle ambiental por georreferenciamento, uso de energia renovável na estrutura do Governo e incentivo a práticas sustentáveis. Agora damos um passo ainda mais decisivo ao criar um fundo que transforma recursos provenientes de combustíveis fósseis em investimentos para financiar a transição energética. É assim que unimos desenvolvimento econômico, responsabilidade ambiental e qualidade de vida para as próximas gerações”, pontuou.
Pioneiro no financiamento verde no País, o Bandes — que, no ano passado, foi citado no relatório internacional “State of Green Banks 2025”, destacando a atuação dos bancos verdes no enfrentamento às mudanças climáticas — lidera a criação do fundo alinhado ao Plano de Descarbonização e Neutralização das Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), que prevê a redução de 27% das emissões até 2030 e a neutralidade de carbono até 2050.
O Fundo de Descarbonização capixaba possui a estrutura de blended finance como seu grande diferencial. Também chamado de financiamento misto, o modelo engloba capital do setor público e do setor privado. No caso do Espírito Santo, somados aos R$ 500 milhões do Funses, estão recursos que serão investidos pela BTG Pactual Asset Management. Assim, o Fundo já nasce com recursos para apoiar a transição energética e permanece aberto para novos investidores.
Os eixos de investimentos são estruturados com base em quatro políticas transversais: minimização de emissões, aumento da eficiência, compensação de emissões e remoção e captura de gases de efeito estufa (GEE).
O Fundo deverá apoiar empreendimentos voltados à descarbonização, como, por exemplo, os seguintes segmentos: Geração de energia renovável (solar, eólica, biogás e biometano); Tecnologias limpas aplicadas à produção industrial; Eficiência energética e eletrificação de cadeias logísticas; Reflorestamento e restauração ambiental; Práticas agrícolas sustentáveis e agricultura regenerativa; Produção e uso de biocombustíveis e combustíveis alternativos; Transportes de baixa emissão, incluindo eletrificação de frotas; Gestão de resíduos, com foco em valorização energética, biogás e reciclagem.
A estruturação do fundo, em parceria com o Governo do Estado, demandou elevado rigor técnico, além de um processo complexo que se estendeu por pouco mais de um ano até sua conclusão. O mecanismo inovador contou ainda com parceria do Instituto Clima e Sociedade (iCS), que forneceu apoio no desenho do instrumento financeiro e auxiliou na identificação de demandas de investimentos em descarbonização no Espírito Santo, validando o potencial do fundo.
Supervisionado pelo Bandes, o Fundo contou, inicialmente, com um aporte de R$ 500 milhões do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses) — criado pelo Governo do Estado para garantir a aplicação sustentável dos rendimentos originados da exploração de combustíveis fósseis. Estruturado como um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), a iniciativa tem como objetivo direcionar esses recursos para o financiamento de atividades e setores que promovam a descarbonização no Espírito Santo. Para isso, o Fundo investirá em títulos de crédito e outros direitos creditórios emitidos por sociedades com sede fiscal no Estado, além de projetos voltados à redução das emissões de gases de efeito estufa.
Com informações do Governo do Espírito Santo






