
Foto: Cadu Gomes/VPR
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que a redução da jornada de trabalho é uma tendência mundial impulsionada pela automação em todos os setores da economia.
A declaração foi feita na segunda-feira (23), durante um evento na sede da Federação das Indústrias de São Paulo, às vésperas do início da discussão, na Câmara dos Deputados, da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a jornada de trabalho 6×1.
“Há uma tendência mundial de você ter uma redução do trabalho. Aliás, isso já vem acontecendo”, disse Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Segundo o vice-presidente, há automação em todos os setores da economia, ainda que cada área da produção apresente particularidades, o que sustenta a tendência de redução da jornada de trabalho. Ele ponderou, no entanto, que o debate precisa ser conduzido com profundidade.
“É um debate que não deve se fazer correria, deve aprofundar o debate, porque você tem situações muito distintas dentro do próprio setor produtivo. Mas é uma tendência”, completou.
A fala de Alckmin ocorreu após o presidente da entidade, Paulo Skaf, pedir a Alckmin que a discussão sobre o fim da escala 6×1 seja adiada para o próximo ano, sobretudo por se tratar de um ano eleitoral.
Selic
Durante o encontro na Fiesp, Alckmin assinou protocolos de colaboração com a Fiesp voltados ao combate a práticas concorrenciais desleais de outros países, como o dumping.
Em fala à diretoria da entidade, o vice-presidente afirmou estar confiante de que o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciará, já na próxima reunião prevista para março, o ciclo de redução da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 15% ao ano. “Estamos confiantes de que, na próxima reunião do Copom, comece a redução da taxa de juros”, disse.
Segundo Alckmin, o movimento será favorecido pela valorização do real e pela desaceleração dos preços dos alimentos. “Devemos ter uma melhora”, acrescentou Alckmin, ao comentar sua expectativa de avanço no cenário econômico com a tendência de queda dos juros.
Taxação
A empresários e industriais presentes à reunião da Fiesp, Geraldo Alckmin voltou a afirmar que considera positiva para o Brasil a nova tarifa global de 15% estabelecida nesta semana pelo governo dos Estados Unidos.
A medida, anunciada por Donald Trump como resposta à decisão da Suprema Corte de derrubar as tarifas sobre produtos importados que haviam sido impostas globalmente no ano passado, foi aplicada a todos os países. Segundo Alckmin, a mudança representa um avanço em relação ao modelo anterior, no qual as alíquotas variavam de acordo com cada nação.
“O país mais beneficiado no mundo [com essa decisão] foi o Brasil”, disse, ao reforçar que o maior problema ocorria quando os Estados Unidos haviam imposto tarifas direcionadas exclusivamente ao país.
“O problema dos 10% + 40% [de taxas] era um problemão [para o Brasil]. Mas essa decisão de 15% não tem problema porque são 15% para nós e para o mundo inteiro. Agora, o país mais beneficiado no mundo foi o Brasil. Abre aí uma avenida em termos de voltar a ter um comércio exterior importante com os Estados Unidos”, afirmou.






