
Foto: Edson Holanda/Prefeitura do Recife
O Recife ganhou a nova sede do Centro de Documentação Dom Helder Câmara, no bairro da Boa Vista. O espaço abriga o acervo do arcebispo emérito de Olinda e Recife, uma das maiores referências na defesa da paz e dos direitos humanos no Brasil e no mundo.
A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Prefeitura do Recife e o Instituto Dom Helder Câmara. O convênio prevê um repasse anual de R$ 300 mil para garantir a manutenção do espaço e o desenvolvimento de atividades de preservação, pesquisa e divulgação.
Durante a inauguração, o prefeito João Campos ressaltou a importância do legado de Dom Helder. “Dom Helder precisa ter a sua história preservada, mantida, sobretudo para ensinar as futuras gerações. Eu me incluo numa geração que não teve o privilégio de conviver com ele. Embora tenha sido sempre uma referência muito próxima, acho que a maior ligação entre nós é o meu avô materno, que foi o médico de Dom Helder e era um grande amigo dele. Mas precisamos ter essa capacidade de permanecer sempre com a chama viva, por isso temos um convênio da Prefeitura com o Instituto, para ajudar”, disse.
O prefeito do Recife disse que pretende enviar à Câmara Municipal um projeto de lei para garantir a manutenção permanente do centro. “Também temos o compromisso de poder mandar um projeto de lei para a Câmara para perenizar isso, independente de quem esteja na gestão. Eu acredito que esse é um compromisso com a cidade, com uma instituição tão séria e tão importante, sobretudo em tempos desafiadores democráticos, para que nunca tenhamos nenhuma dúvida do caminho a seguir, e que possamos beber da nossa história para poder construir sempre um futuro melhor”, declarou.
Com um acervo composto por mais de 200 mil páginas manuscritas, 18 mil fotografias, além de vídeos, cartas, livros e documentos históricos, o centro retoma seu lugar de origem, um espaço sonhado e pensado pelo próprio Dom Helder. Desde 2020, o material estava sob a guarda provisória da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), após a antiga sede sofrer depredações.
A cerimônia de inauguração também contou com a presença do arcebispo de Olinda e Recife, Dom Paulo Jackson. Ao abençoar o novo espaço, destacou a importância da memória coletiva. “Um povo sem história não constrói nem o presente, nem o futuro. Este centro é um lugar de memória e inspiração.”, disse.
Dom Helder, lembrado como o “Dom da Paz”, foi indicado quatro vezes ao Prêmio Nobel da Paz e recentemente teve seu nome aprovado pelo Congresso Nacional para ser incluído no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, homenagem que aguarda agora a sanção presidencial.






