O vice-presidente Geraldo Alckmin participou, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Hospital de Amor (HA), em Barretos (SP), do anúncio de R$ 2,2 bilhões em ações para ampliar o acesso da população ao tratamento do câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS).O pacote de investimentos prevê a garantia de 100% da demanda de medicamentos oncológicos e a criação de uma nova tabela de financiamento do SUS para a oferta de 23 medicamentos de alto custo. As medidas também reforçam a radioterapia, criam financiamento permanente para cirurgias robóticas oncológicas na rede pública e ampliam o acesso à cirurgia de reconstrução mamária.No evento, Alckmin afirmou que as medidas traduzem uma escolha política em favor da saúde pública e da população que mais depende do SUS. “Governar é escolher. O dinheiro nunca vai dar para tudo, é preciso escolher. E o presidente Lula escolheu as pessoas, quem mais precisa, a vida. A obra-prima do Estado é a felicidade das pessoas”, ressaltou. “A boa política faz diferença.”Na sequência, o presidente Lula reforçou que o Estado tem o papel de garantir igualdade de oportunidades a todas as pessoas, especialmente para quem enfrenta dificuldade de acesso à saúde. “O Brasil entrou numa rota de civilidade. O que importa é o seguinte: é brasileiro, tem DNA do Brasil? Então tem que ser tratado com dignidade e com respeito em qualquer lugar desse país”, disse.Lula também defendeu a força do Sistema Único de Saúde. “Eu não aceito dizer que o público não presta e de que tudo que é privado é bom. O SUS está provando. Aquilo que é público, quando é feito com respeito, quando é feito com dignidade, quando é feito com justiça, o público é muito melhor”, destacou Lula.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que as medidas integram a estratégia do programa Agora Tem Especialistas para reduzir o tempo de espera por consultas, exames, cirurgias e tratamentos especializados. “No câncer, tempo é vida”, disse. Segundo ele, o governo do Brasil busca consolidar “a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento de câncer do mundo”.
MEDICAMENTOS, RADIOTERAPIA E CIRURGIA ROBÓTICAA nova tabela de financiamento para medicamentos oncológicos de alto custo deve beneficiar 112 mil pacientes em tratamentos para 18 tipos de câncer, como mama, pulmão, leucemia, ovário e estômago. Com a mudança, a oferta desses fármacos na rede pública aumenta 35%, destravando terapias de primeira linha que, embora já incorporadas ao SUS, aguardavam há até 12 anos para chegar à população. Dependendo do tipo de tratamento, o paciente poderá economizar até R$ 630 mil em relação ao custo na rede privada.O pacote também cria o financiamento permanente para cirurgias robóticas oncológicas no SUS. Para o tratamento do câncer de próstata, o investimento será de R$ 50 milhões. A tecnologia permite maior precisão cirúrgica, melhor visualização das estruturas anatômicas, menor perda sanguínea e recuperação mais rápida dos pacientes. A estimativa é beneficiar cerca de 5 mil homens.Na radioterapia, o Governo do Brasil anunciou a compra de até 80 aceleradores lineares, medida que deve ampliar em 25% a oferta do tratamento em um ano. Também foram entregues veículos para transporte de pacientes até os locais de atendimento, por meio do programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde.
RECONSTRUÇÃO MAMÁRIA
Com foco na saúde das mulheres, o Governo do Brasil também anunciou a ampliação do acesso à cirurgia de reconstrução mamária. O direito, antes limitado a sequelas do tratamento contra o câncer, passa a abranger todos os casos de mutilação mamária, total ou parcial.
A estimativa de investimento é de R$ 27,4 milhões por ano, o que representa aumento de aproximadamente 13% em relação a 2025.
PESQUISA E CONECTIVIDADE
Durante a agenda, também foi anunciada a construção do novo Centro de Pesquisa Clínica e Cirurgia Robótica do Instituto de Treinamento em Cirurgias Minimamente Invasivas, o IRCAD, do Hospital de Amor. A iniciativa busca acelerar o acesso de pacientes oncológicos a terapias e procedimentos de alta complexidade, com foco em inovação médica e eficiência no atendimento.
O Ministério da Saúde também vai repassar R$ 129 milhões ao Hospital de Amor para ampliar sua capacidade de atendimento e formalizou, com o Ministério das Comunicações, a criação da Rede de Conectividade Saúde Brasil de Alta Performance e Segurança. A iniciativa prevê uma conexão de alta capacidade entre Barretos e a unidade do hospital em Porto Velho, onde serão realizadas inicialmente cirurgias robóticas colorretais, ginecológicas e urológicas.
Considerado o maior centro oncológico de atendimento 100% gratuito da América Latina, o Hospital de Amor consolidou uma rede nacional de assistência. “Aquela semente que o doutor Paulo Prata e a doutora Scylla, há 64 anos, plantaram aqui em Barretos, caiu em solo fértil e frutificou. A gente vê no Brasil inteiro o Hospital de Amor fazendo prevenção, diagnóstico, tratamento, ensino e pesquisa”, afirmou Alckmin.
Ao discursar, o vice-presidente ressaltou que o fortalecimento do SUS passa pela valorização das instituições filantrópicas e beneficentes que atendem a população em todo o país. “Além de todos esses avanços, tem mais um: o apoio às Santas Casas de Misericórdia e aos hospitais beneficentes na renegociação da dívida e na correção anual da tabela do SUS”, afirmou.
Alckmin ainda relacionou os investimentos em inovação médica ao fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, setor estratégico para reduzir a dependência externa, ampliar a produção nacional de medicamentos, equipamentos e tecnologias e gerar emprego qualificado. “O presidente Lula está recuperando a indústria brasileira, a indústria do complexo da saúde”, ressaltou.
HOSPITAL DE AMOR
Com 64 anos de história, o Hospital de Amor é uma instituição que mantém uma rede nacional de assistência, prevenção, ensino e pesquisa, com oito unidades de tratamento, 23 unidades fixas de prevenção e 52 unidades móveis em operação no país. Já na cirurgia robótica, o hospital está entre as instituições filantrópicas pioneiras na adoção da tecnologia no Brasil, com a incorporação do primeiro sistema em 2014.
Em 2025, o hospital realizou 9.503 atendimentos em pesquisa clínica, manteve 233 protocolos ativos e 792 pacientes em tratamento. Na cirurgia robótica, já foram feitos 3.889 procedimentos desde 2014.






