A relação entre a esquerda e o eleitorado evangélico esteve no centro do debate promovido pela Fundação João Mangabeira (FJM), braço de formação política do PSB, na noite de quinta-feira (14). Com participação de mais de 100 pessoas de diferentes regiões do país, o encontro virtual discutiu os desafios do campo progressista para dialogar com um dos segmentos que mais cresceram no cenário político brasileiro.
Com o tema “O PSB e o voto evangélico”, a edição do ciclo “Diálogos de Formação” reuniu dirigentes, pesquisadores e especialistas para discutir comportamento eleitoral, conservadorismo, redes sociais e estratégias políticas de olho em 2026. O debate foi transmitido pelo Zoom e pelo YouTube e teve mediação do presidente da FJM, Carlos Siqueira.
Ao abrir o encontro, Siqueira defendeu que a esquerda precisa compreender melhor o universo evangélico e superar preconceitos históricos na relação com o segmento religioso. “ Nós precisamos compreender melhor o que significa ser evangélico, qual é a cultura evangélica e como pensam e votam essas pessoas”, afirmou.
Em outro momento, ele defendeu aproximação política baseada no respeito e nos direitos sociais. “A esquerda precisa aprender a conviver com esse segmento e se aproximar dele sem preconceitos. Para além das diferenças, precisamos encontrar o que nos une. Nos conectar com seus direitos sociais, com suas necessidades e respeitar suas escolhas”, declarou.
O coordenador de formação política da Fundação, Domingos Leonelli, afirmou que o ciclo busca preparar quadros do partido para os próximos desafios eleitorais. “Esses diálogos pretendem despertar e dar um resumo de uma visão estratégica para candidatas e candidatos do nosso partido”, disse.
O doutor em Filosofia Paulo Roberto Cardoso destacou que o crescimento evangélico precisa ser compreendido para além da dimensão religiosa.“ Nós não estamos discutindo fé, estamos discutindo cultura”, afirmou.
Segundo ele, compreender a questão religiosa é fundamental para ampliar o diálogo social e político. “A esquerda necessita entender essa questão religiosa para construir diálogo e coesão social”, avaliou.
Já o jornalista e especialista em mídias digitais Ricardo Mucci afirmou que o eleitor evangélico não pode ser tratado como um grupo homogêneo e alertou para os desafios da comunicação política nas redes sociais. “O eleitor evangélico não é um bloco homogêneo e nem um voto automático”, afirmou.
Mucci também avaliou que o principal desafio do campo progressista atualmente é construir pontes de diálogo com esse eleitorado. “O grande desafio da esquerda hoje é construir um discurso que dialogue com esse eleitor”, declarou.
Assista à íntegra do debate:






